O crédito imobiliário brasileiro vive um processo de reconfiguração. Com a redução dos depósitos em poupança e a postura mais cautelosa dos bancos, as incorporadoras têm buscado novas fontes de recursos. Nesse cenário, o mercado de capitais vem se consolidando como alternativa estratégica para viabilizar projetos residenciais e comerciais.
Levantamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aponta que, em apenas seis meses, o volume movimentado pelo mercado de capitais avançou 8,1%, saindo de R$ 15,3 trilhões para R$ 16,6 trilhões. Esse crescimento também se refletiu no segmento imobiliário, que registrou alta de 5% no período, enquanto os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) acumularam ganho de 4,3%.
Boa parte dos recursos captados tem sido direcionada a empreendimentos de médio e alto padrão em áreas valorizadas de São Paulo, onde investidores ainda encontram liquidez e demanda consistente. Para os gestores, trata-se de um movimento que alia segurança a retornos mais previsíveis.
Segundo Rafael Bellas, diretor de alocação da InvestSmart, a retração na poupança é consequência direta da busca dos investidores por ganhos reais em um ambiente de juros elevados. O executivo avalia que recorrer ao mercado de capitais exige disciplina adicional das incorporadoras. Estrutura de governança, clareza na prestação de contas e garantias mais consistentes tornam-se fatores decisivos para atrair aportes. Apesar de ter um custo de captação maior, esse modelo pode resultar em empreendimentos mais robustos e preparados para ciclos de instabilidade.