Justiça determina liberação de habite-se na orla de João Pessoa

O mercado imobiliário de João Pessoa vive um momento de ajuste fino entre a preservação ambiental e a estabilidade econômica. Em decisões recentes de 2026, a Justiça da Paraíba tem sinalizado um caminho que prioriza a segurança jurídica, evitando medidas extremas como demolições em casos onde as irregularidades são consideradas de baixo impacto urbanístico.

O caso emblemático do Oceânica Cabo Branco

Um dos episódios mais recentes que pautou o setor foi a decisão da 2ª Vara de Fazenda Pública da Capital, que determinou que a Prefeitura de João Pessoa expeça o Habite-se de um empreendimento na orla do Cabo Branco. O prédio apresentava um excedente de 84 cm em relação ao limite estabelecido pela Lei do Gabarito.

A decisão judicial baseou-se em dois pilares fundamentais:

  1. Boa-fé do construtor: O empreendimento possuía um alvará de construção expedido regularmente e a obra foi concluída dentro do prazo.
  2. Irrelevância do impacto: Pareceres técnicos indicaram que o excedente não compromete a ventilação, a iluminação ou a estrutura urbanística da região.

“A negativa da prefeitura foi considerada ilegítima, dado que o pequeno desvio não justifica o prejuízo social e econômico de manter o imóvel irregular ou exigir sua demolição”, aponta a fundamentação jurídica.

Acordos com o Ministério Público: a alternativa das indenizações

Diferente de anos anteriores, onde a demolição era a primeira linha de combate do Ministério Público da Paraíba (MPPB), 2026 consolidou o uso de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC).

Recentemente, acordos similares aos firmados na orla de Cabedelo (como no caso do Vivere Home Resort) têm servido de modelo para a capital. Em vez de marretas, as construtoras pagam indenizações financeiras destinadas ao Fundo de Direitos Difusos da Paraíba. Esses recursos são reinvestidos em melhorias para a própria cidade, equilibrando o dano ambiental com o benefício público.

Tendências Jurídicas para o Mercado Imobiliário em 2026

Para investidores e compradores, o cenário atual exige atenção redobrada, mas oferece mais previsibilidade:

Situação Tendência da Justiça (2026)
Pequenos Excedentes (cm) Liberação de Habite-se com foco na segurança jurídica e proteção dos adquirentes.
Irregularidades Médias Acordos financeiros e indenizações via MPPB para evitar demolição.
Desrespeito Grave ao Gabarito Manutenção de ordens de desocupação e proibição de vendas.
Inconstitucionalidade da LUOS O TJPB mantém rigor na orla, invalidando leis que tentem flexibilizar o gabarito sem amplo debate popular.

Dica para proprietários e corretores

A regularização de imóveis que ainda não possuem o documento exige vistorias rigorosas. Em 2026, os custos médios para emissão de laudos de engenharia e assessoria técnica para Habite-se em João Pessoa variam entre R$ 500 e R$ 2.500, dependendo da complexidade da vistoria e do tamanho do imóvel.

A mensagem de 2026 é clara: o rigor da Lei do Gabarito continua sendo a regra de ouro para a orla, mas o bom senso jurídico está protegendo quem investiu de boa-fé em projetos aprovados pelo próprio poder público.

 

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