Nos anos 1990, Curitiba chamou a atenção do mundo com um projeto arquitetônico inusitado: a Suíte Vollard, considerado o primeiro edifício residencial giratório do planeta.
A proposta era futurista: cada pavimento poderia realizar uma rotação completa de 360 graus, proporcionando aos moradores uma vista panorâmica da capital paranaense. O preço de lançamento girava em torno de R$ 2.700 por metro quadrado, quase o dobro do valor médio praticado na cidade na época.
O empreendimento prometia sofisticação, exclusividade e inovação. No entanto, o desfecho foi bem diferente do esperado.
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Nenhum apartamento foi comercializado durante o lançamento.
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Em 2008, houve uma tentativa de relançamento, com preços em torno de R$ 1,2 milhão por unidade, mas novamente não houve interessados.
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O prédio acabou abandonado, sofreu depredações e tornou-se um símbolo de frustração no mercado imobiliário.
Especialistas apontam que o caso ilustra um erro clássico: lançar um produto inovador sem avaliar a real demanda do público-alvo. No segmento de alto padrão, a decisão de compra está menos ligada à tecnologia e muito mais à percepção de status, estilo de vida e valorização patrimonial.
Além disso, a precificação inadequada foi determinante para afastar possíveis compradores. O que deveria ser um marco de modernidade transformou-se em um alerta para construtoras e incorporadoras de todo o país.
Atualmente, a Suíte Vollard permanece sem moradores, aguardando um investidor que nunca chegou. De símbolo de ousadia arquitetônica, o edifício se converteu em um exemplo emblemático de como o distanciamento entre inovação e mercado pode levar ao fracasso.